HISTÓRIAS DO RIO · LUGARES

Museu Casa de Benjamin Constant

Foto: Museu Casa de Benjamin Constant, Wikipédia/Wikimedia Commons

O Museu Casa de Benjamin Constant é uma das unidades museológicas do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ministério da Cultura. Está localizado no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro e foi inaugurado em 18 de outubro de 1982 na casa onde residiu Benjamin Constant Botelho de Magalhães (Niterói, 10 de fevereiro de 1837 - Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 1891), professor de matemática, engenheiro e militar. Trata-se de uma chácara típica do século XIX, com casa em estilo neoclássico, extenso jardim e caramanchão. Seu acervo consiste de objetos, obras de arte, indumentária e mobiliário dos séculos XIX e XX. Conta, também, com biblioteca e arquivo histórico que preservam livros raros, documentos manuscritos e impressos dos períodos imperial e republicano, correspondência do patrono e familiares e coleções de imagens com exemplares de todos os processos fotográficos já existentes, como o daguerreótipo.

Museu Casa de Benjamin Constant
Foto: Museu Casa de Benjamin Constant, Wikipédia/Wikimedia Commons, licença livre, autoria na página do artigo.

Como museu casa, testemunha o ambiente familiar e os modos de vida do século XIX, além de divulgar a vida e a obra de seu patrono através de seu acervo e ações educativas. Sua área verde integra a Área de Proteção Ambiental (APA) de Santa Teresa.

O museu encontra-se temporariamente fechado para restauração.

Da história à obra

Toda história de lugar tem um capítulo de construção e outro de conservação. Em Museu Casa de Benjamin Constant ambos aparecem no que você leu acima. A URBEX trabalha justamente com construção e reformas residenciais e comerciais e gosta desse olhar de longo prazo. Comentário nosso, sem vínculo com obras neste local.

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História

Antecedentes

Com o falecimento de Benjamin Constant, em 22 de janeiro de 1891, o governo provisório da República adquiriu a chácara pelo valor de 100 contos de réis, pagos ao proprietário Antônio Moreira dos Santos Costa, transformando-a em próprio nacional. A compra foi feita em obediência ao artigo 8º das disposições transitórias da Constituição de 1891, a primeira da era republicana, que diz: “O Governo federal adquirirá para a Nação a casa em que faleceu o Doutor Benjamin Constant Botelho de Magalhães e nela mandará colocar uma lápide em homenagem à memória do grande patriota - o fundador da República”. A transação foi autorizada pelo decreto legislativo nº 6 de 29 de agosto de 1891. A constituição reconheceu, ainda, o título de Fundador da República a Benjamin Constant, coroando o que o historiador Renato Lemos chamou de entronização no panteão de heróis nacionais. A casa passou a usufruto da viúva Maria Joaquina Botelho de Magalhães e dos filhos do casal. Maria Joaquina foi a primeira guardiã da memória do falecido marido. Inventariou e organizou os bens, documentos e objetos de trabalho de Benjamin.

Em 1958, a filha mais nova do casal, Aracy Botelho de Magalhães, ainda usufruía da casa, mas pelo mau estado do prédio e pelas más condições de sua saúde, deixa o imóvel. Assim, o General Pery Constant Bevilaqua, neto de Benjamin, encaminhou ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) uma solicitação de tombamento e teve parecer favorável do então funcionário do órgão Carlos Drummond de Andrade. A partir dessa data, a chácara passou por várias intervenções de restauro, enquanto os documentos, mobiliário e objetos de Benjamin eram doados ao SPHAN para catalogação.

Na década de 1970, coube à museóloga Hercília Canosa Viana a tarefa de pesquisa e organização do museu, contando com a colaboração de netos do patrono, Benjamin Constant Fraenkel e General Pery Constant Bevilaqua.

Após 7 anos de intensos trabalhos, o museu abriu as portas ao público em 18 de outubro de 1982, durante a vigência da Fundação Pró-Memória, um órgão que atuou junto ao SPHAN entre 1979 e 1990.

A data de inauguração

A museóloga Hercília Canosa Vianna escolheu a data de 18 de outubro para inaugurar o museu em razão do seu simbolismo. Nesta mesma data, no ano de 1849, Benjamin Constant tentara o suicídio por causa de intensa tristeza pela morte de seu pai, Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães. Depois de atirar-se num rio na cidade flumiense de Magé, Benjamin, que contava apenas 12 anos de idade, foi resgatado por uma lavadeira escrava da região. Passou, assim, a comemorar simbolicamente o 18 de outubro como seu aniversário, como uma espécie de renascimento. A historiografia esclareceu o fato, reconhecendo que o corrido acabou induzindo historiadores e biógrafos a erros, já que se basearam na data do salvamento e não na data real do nascimento (10 de fevereiro de 1837). Portanto, o Museu Casa de Benjamin Constant relembra a cada 18 de outubro não só a data da sua criação, mas também esse episódio marcante da vida de seu patrono.

O museu e os órgãos de patrimônio

O museu ficou sob a administração da Fundação Pró-Memória até 1990. Com a extinção desta, passou para o Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (IBPC), que foi o responsável pelos museus e outros assuntos culturais até 1994, quando retomou o nome IPHAN. A partir desse ano, os museus administrados pelo governo federal passaram a se submeter unicamente ao IPHAN, que tinha um Departamento de Museus (DEMU). Em 2009, o DEMU deu lugar ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), uma autarquia vinculada ao Ministério da Cultura criada pela Lei 11.906. Além do Museu Casa de Benjamin Constant, o Ibram administra outros 29 museus e é responsável pela promoção de políticas públicas para o campo museal brasileiro.

Mulheres na direção

Desde sua criação, o Museu Casa de Benjamin Constant foi sempre dirigido por mulheres:

Hercília Canosa Vianna (1982-1992)

Isolete Silva (1993-1994)

Mônica Costa (1995-1998)

Vânia Dolores Brandão (1998-1999)

Fátima Beviláqua (1999-2008)

Elaine de Souza Carrilho (2008-atual)

A chácara e o bairro

No século XVII, a região onde a chácara está situada chamava-se morro de Nossa Senhora do Desterro. Depois foi rebatizada de Santa Teresa, em função do convento com o mesmo nome, construído em 1750 a mando do Governador Gomes Freire de Andrade. Santa Teresa era um bairro de chácaras das classes abastadas do Rio de Janeiro, residencial, porém rural. Nessas chácaras, criavam-se animais e plantavam-se víveres. Não raro, Santa Teresa era procurada por aqueles que buscavam um lugar mais saudável para morar, motivo que levou o próprio Benjamin Constant a residir no bairro.

Os acessos eram poucos, nos séculos XVII e XVIII. Apenas no século XIX, quando algumas propriedades foram desmembradas, é que se abriram ruas e vias em Santa Teresa. Nesse tempo, o transporte era feito através de liteiras, em ombros de escravos, ou veículos de tração animal. No II Reinado, em 1856, o Governo Imperial autorizou a instalação de bondes de tração animal, que circulavam sobre trilhos de ferro. Esse transporte começa a funcionar mesmo em 1859 e, no final do século XIX, passaram a conviver com os bondes elétricos do bairro.

A casa da chácara onde viveria Benjamin foi construída por volta de 1860, em estilo neoclássico, com jardim, caramanchão e porão. O primeiro proprietário chamava-se Antônio Moreira dos Santos Costa. As casas de chácara situavam-se em torno do núcleo urbano e contavam, muitas vezes, com senzala, jardim, horta, pomar, chiqueiro, estrebaria, cocheira e abastecimento próprio de água. Eram mais confortáveis que os sobrados urbanos e, por isso, preferidas pelas classes mais abastadas. A planta da casa histórica do museu tem forma de U, com pátio interno para o qual se abrem várias portas e janelas, e 14 cômodos: hall de entrada, escritório, sala de visita, corredor, hall interno, quarto da moça, quarto do rapaz, sala de costura, quarto do casal, sala de jantar, copa, banheiro, cozinha e despensa. A fachada é frontal, diretamente aberta sobre a calçada, exceto nas duas entradas, que apresentam pátio de acesso com gradil de ferro. No interior, apresenta assoalho de madeira e mobiliário em madeira e ferro.

Entre 1906 e 1921 foi edificada a segunda casa da chácara, em estilo eclético, para moradia de uma das filhas de Benjamin, Bernardina de Magalhães Serejo, e seu marido João de Albuquerque Serejo. Nesta casa funcionam atualmente os setores técnicos e administrativos do museu, além do arquivo histórico.

O parque do museu possui aproximadamente 12.000 m² de terreno em declive, demarcado por muros e gradis de ferro em seus limites com as ruas Monte Alegre, Ladeira do Castro e Triunfo. O terreno outrora desmatado foi reflorestado na década de 1980 com apoio da FEEMA, que plantou cerca de mil árvores da mata atlântica brasileira. Desde o ano de 1985 o terreno integra a Área de Proteção Ambiental – APA do bairro de Santa Teresa, criada pela Lei Municipal nº 495, de 09 de janeiro de 1984 e regulamentada pelo Decreto nº 5.050 de 23 de abril de 1985.

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Fontes: Open-Meteo (tempo) e BrasilAPI (feriados).

Perto daqui

Fonte: Wikipédia (busca por localização).

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Fonte do texto: Wikipédia, "Museu Casa de Benjamin Constant", licença CC BY-SA. Texto adaptado e reduzido.

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