HISTÓRIAS DO RIO · LUGARES

Praça Onze

Foto: Praça Onze, Wikipédia/Wikimedia Commons

A Praça Onze é uma região histórica da região central da cidade do Rio de Janeiro, cujo nome foi herdado de um antigo logradouro, hoje extinto. Localiza-se no Centro, no limite com o bairro da Cidade Nova.

Praça Onze
Foto: Praça Onze, Wikipédia/Wikimedia Commons, licença livre, autoria na página do artigo.

A original Praça 11 de Junho (data da Batalha Naval do Riachuelo) existiu por mais de 150 anos até a década de 1940 e era delimitada pelas ruas de Santana (a leste), Marquês de Pombal (a oeste), Senador Euzébio (ao norte) e Visconde de Itaúna (ao sul). A princípio denominada de "Largo do Rocio Pequeno", tornou-se nas primeiras décadas do século XX, um dos locais mais cosmopolitas da então Capital Federal, ao abrigar famílias de imigrantes recém desembarcados. As etnias mais populares no entorno da Praça Onze eram os negros (na maioria oriundos da Bahia), seguidos pelos judeus de várias procedências. Portugueses, espanhóis e italianos também eram numerosos.

Antecedentes

A região onde mais tarde existiria a Praça 11 de Junho era desabitada até o final do século XVIII, sendo terras inadequadas à lavoura e à edificação por se tratar de uma zona pantanosa. Foi somente após a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro e a sua instalação no Paço de São Cristóvão que as primeiras estradas de acesso àquela área foram construídas. Em 1810, por ordem d'El Rey D. João VI, foi criada a "Cidade Nova", que ia do Campo de Santana até São Cristovão. Com ruas retilíneas e extensos lotes, muito se diferenciava da área central, congestionada de casas em lotes estreitos. Na mesma ocasião, o rei criou uma praça onde começava o Mangue de São Diogo: o Largo do Rocio Pequeno.

Da história à obra

Quem trabalha com reformas olha para a história de Praça Onze com um interesse prático: o que faz uma edificação durar e o que a faz envelhecer mal. A URBEX, que atende Osasco, Carapicuíba, Barueri, Santana de Parnaíba e Alphaville, costuma começar pelo escopo e pelo estado do que já existe. Não temos ligação com este local; é uma reflexão a partir dele.

Obra bem feita dura: URBEX

A URBEX é a empresa de construção e reformas que atende Osasco, Carapicuíba, Barueri, Santana de Parnaíba e Alphaville, com escopo claro antes de começar. A URBEX fica no Oeste da Grande São Paulo (SP), não no Rio de Janeiro. Este espaço é divulgação do nosso próprio projeto.

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Apesar de ser a única praça de comércio da Cidade Nova, o Rocio Pequeno continuou quase deserto. Foi somente em 1842, já durante o Segundo Reinado que o local voltou a receber a atenção das autoridades municipais. Um chafariz em cantaria, de estilo neoclássico, projeto de Grandjean de Montigny, foi instalado no centro do largo, servindo para o abastecimento das casas e estabelecimentos do entorno.

No ano de 1854, com a construção e inauguração da Fábrica de Gás, o Visconde de Mauá percebeu a necessidade de canalização do mangue, saneando o caminho até a Baía de Guanabara, bem como possibilitando um sistema hidroviário ligando o subúrbio ao Centro. Em 1858, o mesmo Mauá inaugurava a Estrada de Ferro Dom Pedro II, que cortava a Cidade Nova, ligando-a a vários subúrbios e ao interior da província.

Com a eclosão da Guerra do Paraguai uma onda de nacionalismo tomou conta do império. Com a vitória brasileira na Batalha do Riachuelo, o Largo do Rocio Pequeno foi rebatizado com a data do confronto. Foi também nesta época, com o declínio do sistema escravagista, que a Praça 11 de Junho passou a ser um bom destino para os imigrantes, pela proximidade com o porto e pelo comércio variado.

A presença cultural africana

Com a Abolição, grandes massas de ex-escravizados se instalaram nas precárias "casas de cômodos" que abundavam nas ruas adjacentes à Praça 11 de Junho.

No raiar do século XX, a Praça 11 de Junho era o reduto por excelência dos negros cariocas. Das batucadas trazidas pelos negros baianos, misturadas ao lundu do Rio de Janeiro, nasceu o samba. Estudiosos e contemporâneos daqueles tempos são unânimes ao apontar a importância da mítica "Casa da Tia Ciata" para essa síntese cultural. Tia Ciata era uma baiana que se mudou para o Rio de Janeiro e tinha como ofício cozinhar quitutes. Assim, sua casa ficou famosa na praça, e se transformou em ponto de encontro de músicos e gente do povo. Ali, o ritmo do samba começou a ser moldado.

A casa da Tia Ciata foi o principal local de onde se tocavam músicas e ritmos africanos daquela comunidade, de onde saíram sambas históricos e compositores de talento. Em 1926, por perseguições policiais, alguns compositores locais fundaram uma "escola de samba", nome eufêmico para uma associação recreativa que, na verdade, não tinha fins educacionais. A primeira foi a "Deixa Falar", cujas divisões, anos depois, resultariam em várias outras escolas, como a Estácio de Sá, Mangueira e Portela. Em 1933, o prefeito Pedro Ernesto organizou o primeiro desfile oficial de escolas de samba na Praça 11 de Junho, do qual a Mangueira sairia vencedora. Os desfiles passaram a ser anuais, com grande afluência do público.

O bairro judeu

A Praça 11 de Junho também reuniu a maior concentração judaica da história da cidade do Rio de Janeiro. Os imigrantes judeus escolheram a Praça 11 de Junho pois a configuração das casas na região, com espaço para lojas no térreo e residências nos andares superiores, era perfeita para o comércio. Centenas de estabelecimentos judaicos, bem como clubes, grêmios políticos e sinagogas se instalaram na área.

O encolhimento da Praça 11 de Junho

Na década de 1930, a Prefeitura do Distrito Federal planejou obras de modernização da região, o que incluía a construção de uma nova artéria rodoviária que melhorasse o acesso do Centro à Zona Norte. Com isso, a Praça 11 de Junho foi notavelmente reduzida. Pelo projeto, os quarteirões entre as ruas Senador Eusébio e Visconde de Itaúna seriam demolidos para a abertura da nova Avenida Presidente Vargas. Em 1941, começaram as demolições, que desalojaram centenas de famílias e que acabariam por derrubar 525 prédios, entre eles algumas construções históricas, como as igrejas de São Pedro dos Clérigos e de São Joaquim.

Referências na cultura

O ator Grande Otelo teve a ideia de protestar contra a decisão da prefeitura na forma de um samba. Ele levou uma letra para os compositores Max Bulhões, Wilson Batista e Herivelto Martins, sem lhes despertar o menor interesse. Mas Otelo era teimoso e Herivelto, para se livrar dele, compôs o samba em que aproveitou a ideia, desprezando os versos. Acontece que a composição – anunciando o fim da praça e dos desfiles e, de uma maneira comovente, exortando os sambistas a guardarem os seus pandeiros - superou as expectativas do autor, sugerindo-lhe uma gravação diferente, em que se reproduzisse o clima de uma escola de samba. E assim ele fez, tendo a novidade se tornado padrão para a execução de sambas do gênero. Além do canto, no estilo "empolgação", a cargo do Trio de Ouro reforçado por Castro Barbosa, foi primordial para que se estabelecesse tal clima o uso destacado de três elementos rítmicos - o tamborim, o apito e o surdo. Até então, o apito era usado nas escolas de samba somente como elemento sinalizador, para comandar o desfile. Sua função rítmica, sibilando em tempo de samba, foi uma invenção de Herivelto, lançada nesta gravação:

Vão acabar com a Praça Onze

Não vai haver mais Escola de Samba, não vai

Chora o tamborim

Chora o morro inteiro

Favela, Salgueiro

Mangueira, Estação Primeira

Guardai os vossos pandeiros, guardai

Porque a Escola de Samba não sai

Adeus, minha Praça Onze, adeus

Já sabemos que vais desaparecer

Leva contigo a nossa recordação

Mas ficarás eternamente em nosso coração

E algum dia nova praça nós teremos

E o teu passado cantaremos

Anos mais tarde, Chico Anysio e João Roberto Kelly homenagearam a Praça Onze no "Rancho da Praça Onze":

Esta é a Praça Onze tão querida

Do carnaval a própria vida

Tudo é sempre carnaval

Vamos ver desta Praça a poesia

E sempre em tom de alegria

Fazê-la internacional

A Praça existe alegre ou triste

Em nossa imaginação

A Praça é nossa e como é nossa

No Rio quatrocentão

Este é o meu Rio boa praça

Simbolizando nesta Praça

Tantas praças que ele tem

Vamos da Zona Norte a Zona Sul

Deixar a vida toda azul

Mostrar da vida o que faz bem

Praça Onze, Praça Onze

Mais tarde, os Quatro Ases e Um Curinga fizeram a homenagem ao Rio Antigo no samba "O Samba não morre"

Eu vi a Favela desaparecer,

Eu vi a Lapa se transformar,

Eu vi morrer a Praça Onze,

Eu vi tudo isto sem reclamar.

Mas, felizmente, ficou o samba

Ficou o samba, ninguém pode acabar,

Pois nele existe uma lembrança singela

Da Praça Onze, da Lapa e da Favela

Não é preciso ter Salgueiro.

Nem Estácio de Sá,

Mangueira pode emudecer,

A Vila até pode acabar

Pode acabar o romance, o luar e o violão.

Tudo pode acontecer,

Menos o Samba morrer.

Do lugar ao seu ambiente

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Fonte do texto: Wikipédia, "Praça Onze", licença CC BY-SA. Texto adaptado e reduzido.

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