HISTÓRIAS DO RIO · LUGARES

Parque Lage

Foto: Parque Lage, Wikipédia/Wikimedia Commons

O Parque Henrique Lage (ou simplesmente Parque Lage) é um parque público da cidade do Rio de Janeiro, localizado aos pés do morro do Corcovado, na rua Jardim Botânico. Possui uma área com mais de 52 hectares e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 14 de junho de 1957, como patrimônio histórico e cultural da cidade do Rio de Janeiro. O palacete abriga, desde 1966, o Instituto de Belas Artes que deu origem em 1975 à Escola de Artes Visuais. Desde 2004, o Parque Lage é parte do Parque Nacional da Tijuca, sob a administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, estando o palácio sob tutela da dita escola.

Parque Lage
Foto: Parque Lage, Wikipédia/Wikimedia Commons, licença livre, autoria na página do artigo.

História

A história da chácara dos Lage, no Jardim Botânico, ainda é cheia de controvérsias e mal contada. A falta de historiografia a respeito das propriedades da família fez com que a história da chácara anterior a década de 1920 fosse contada de forma errada.

A última proprietária das terras do antigo engenho de cana de açúcar foi Dona Maria Eleonora, filha de João de Freitas e Castro, único filho de Rodrigo de Freitas. Em 1808, pelo decreto real de 13 de junho, todas as terras da lagoa passaram a pertencer a Nação. No mapa da lagoa de 1809 se conta mais de 60 chácaras, que passaram a pagar foro para o uso das terras, em cumprimento ao decreto de 1808. No trecho da praia do padeiro, existia uma grande chácara, que pertencia a José Pereira de Almeida. No mapa da lagoa de 1844 estão demarcadas duas chácaras na altura da praia do padeiro, a chácara da Bica ( a partir de 1850 pertenceu ao comendador Antonio de Carvalho Ribeiro) e a chácara do Padeiro (chácara dos Martins Lage).

Da história à obra

Ler sobre Parque Lage lembra que manutenção pequena e regular custa menos que reparo grande. É o raciocínio que a URBEX leva às reformas e construções que faz no Oeste da Grande São Paulo: avaliar, combinar o escopo e só então executar. Texto editorial da nossa equipe, sem relação com intervenções neste local.

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Antônio Martins Lage, casado com Felicité Clarisse de Labourdonay, filha do conde de Labourdonnay, comprou a propriedade no início dos anos de 1830. Em 25 de abril de 1838 faleceu Antônio Martins Lage. Seu filho mais velho, também chamado de Antônio Martins Lage, tinha 11 anos. No inventário, entre outras propriedades, constavam a ilha da Enxada, a ilha dos Vianna e a chácara da lagoa com casa de sobrado. Esta chácara foi posta a venda no Jornal do Comércio de 18 de outubro de 1839, como consta: “Quem quiser arrendar a bela casa e chácara sita na Lagoa Rodrigo de Freitas, junto ao jardim botânico, hoje pertencente a um dos herdeiros de Antônio Martins Lage, pode ir vê-la. Para tratar do arrendamento, na rua do Valongo n. 43”. Apesar do anúncio de arrendamento no Jornal do Comércio a chácara não foi vendida e Dona Felicité Clarisse seguiu firme da administração dos negócios da família sendo a casa ampliada por seu filho, O comendador Antônio Martins Lage, durante os anos de 1850. Na fotografia de George Leuzinguer, de 1866 pode ser observar uma casa em estilo neoclasico, com grandes janelas, o piso principal era sobre cômodos inferiores e com um sobrado na parte frontal. Ao redor da casa existia um ensolarado pátio sem jardins.

A chácara foi propriedade dos Martins Lage até o ultimo quartel do século XIX. A familia se mudou para ilha dos Vianna, comprada pelo pai do comendador Antônio Martins Lage. Antônio Martiins Lage Filho (o Tonico Lage), filho do comendador, cria em 1895 a Companhia de Navegação Costeira, com sede na ilha dos Vianna. Em 1902, Tonico Lage compra a ilha de Santa Cruz. próximo a Niterói, onde também fixa residência. A ilha dos Viannas seguia em expanção industrial e a de Santa Cruz era de tranquila natureza.. Tonico Lage faleceu na ilha dos Vianna em 8 de agosto de 1913 , deixando cinco filhos, Antônio, Jorge , Renaud, Frederico e Henrique Lage. A chácara da lagoa passou a pertencer ao engenheiro formado pela Escola Politécnica do Rio de janeirio, César de Sá Rabello (1876-1960), filho do comendador Antônio José da Silva Rabello e de Maria de Oliveira Jacobina de Sá (Maroquinha). Rabello pertenceu a diretoria do clube de engenharia e teve estreitas relações com a família Guinle e com a família Gaffrée na sociedade da Companhia Brasileira de Energia Elétrica (CBEE).

O jardim da chácara

Com a vinda da corte portuguesa para o Brasil em 1808 e a abertura dos portos, o Rio de Janeiro se impregnou de influências europeias. Essas influências modifiicaram não só os habitos dos moradores da nova capital régia, mas também e principalmente o urbanismo da cidade. A partir do segundo quartel do século XIX chegaram os primeiros paisagistas no Brasil. O que antes era feito por mestres de obra, o urbanismo passou a ser feito por profissionais. No que concerne ao paisagismo a grande tendência era os jardins em estilo romantico, também chamados de pictorescos. Eram jardins com características de bosque, com muitas árvores, lagos, fontes, pequenas cascátas, pontes e grutas. A técnica utilizada era chamada de rocallier, um estilo francês do seculo XVIII. Essa técnica conciste em imitar elementos da natureza com concreto armado como rochas, grutas e troncos de árvore.

As expressões de jardim romãntico oitocentista mais significativas no Rio de Janeiro são a reforma do Passeio Público de 1864, de autoria do francês Auguste Fronçois Marie Glaziou, a reforma dos jardins da Quinta da Boa Vista de 1869, os jardins do Campo de Santana (atual Praça da República) de 1880, ambos também de Glaziou e os jardins do Palácio do Catete. O projeto dos jardins do Palácio do Catete é datado de 1860, também de autoria de Glaziou, mas teve intervenções feitas por Paul Vilon em 1896.

Das propriedades privadas ainda encontramos os jardins da chácara dos Martins Lage de 1840, e da casa do comendador Albino de Oliveira Guimarães (atual casa Rui Barbosa) de 1859. O comendador Guimarães foi o segundo proprietário do solar da rua São Clemente, no Bairro de Botafogo, e foi ele que encomendou o projeto do jardim social da casa. Infelizmente o autor desse projeto é desconhecido. O projeto do jardim da chácara dos Martins Lage foi de autoria do paisagista e arquiteto John Tyndale, realizado em 1840. Não se sabe nada mais sobre Tyndale além desse projeto.

Valeria a pena uma pesquisa mais profunda sobre john Tyndale pela importância que o jardim da chácara dos Lage tem na história do paisagismo brasileiro. Quase nada se sabe sobre o projeto original do jadim de Tyndale. Na foto de 1866, de George Leuzinger, pode se observar ao longe o terreno da chácara. Era um terreno ensolarado, sem árvores, onde é possivel reparar com certa dificuldade uma alameda com palmeiras imperiais ainda pequenas. A floresta, pouco observável na fotografia, começava na parte superior do terreno.

Do lugar ao seu ambiente

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Fonte: Wikipédia (busca por localização).

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Fonte do texto: Wikipédia, "Parque Lage", licença CC BY-SA. Texto adaptado e reduzido.

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