HISTÓRIAS DO RIO · LUGARES

Palácio Monroe

Foto: Palácio Monroe, Wikipédia/Wikimedia Commons

O Palácio Monroe foi uma edificação eclética localizada na Cinelândia, no centro da cidade brasileira do Rio de Janeiro, no estado homônimo. Abrigou o Senado Federal entre 1925 e 1960, embora fosse considerado pequeno para a função. Entre 1914 e 1922, o edifício também abrigou a Câmara dos Deputados como sede temporária, enquanto o Palácio Tiradentes era construído.

Palácio Monroe
Foto: Palácio Monroe, Wikipédia/Wikimedia Commons, licença livre, autoria na página do artigo.

Com 1 700 metros quadrados de área construída, tinha elementos de sua composição arquitetônica que se inscrevem na linguagem geral do ecletismo, num estilo híbrido, caracterizado por uma combinação liberal de diversas origens que marcou uma época de transição na arquitetura brasileira.

O prédio foi demolido em 1976, por ordem da ditadura militar sob Ernesto Geisel, após a mudança da capital federal para Brasília, e uma campanha midiática em prol da demolição liderada por Lúcio Costa e pelo jornal O Globo, apesar de protestos da sociedade civil.

Da história à obra

Ler sobre Palácio Monroe lembra que manutenção pequena e regular custa menos que reparo grande. É o raciocínio que a URBEX leva às reformas e construções que faz no Oeste da Grande São Paulo: avaliar, combinar o escopo e só então executar. Texto editorial da nossa equipe, sem relação com intervenções neste local.

Obra bem feita dura: URBEX

A URBEX é a empresa de construção e reformas que atende Osasco, Carapicuíba, Barueri, Santana de Parnaíba e Alphaville, com escopo claro antes de começar. A URBEX fica no Oeste da Grande São Paulo (SP), não no Rio de Janeiro. Este espaço é divulgação do nosso próprio projeto.

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História

Projeto e construção

Inicialmente chamado de Pavilhão São Luiz, o prédio foi projetado para ser o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1904, ocorrida em St. Louis, nos Estados Unidos. Conforme especificado pela Cláusula 1.ª do Aviso n.º 148 de 3 de julho de 1903:

"Na construção do Pavilhão se terá em vista aproveitar toda a estrutura, de modo a poder-se reconstruí-lo nesta capital."

Desse modo, o arquiteto e engenheiro militar, Coronel Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, concebeu uma estrutura metálica capaz de ser totalmente desmontada, erguendo-a, como previsto, em Saint-Louis. A imprensa norte-americana não poupou elogios à estrutura, destacando-a pela sua beleza, harmonia de linhas e qualidade do espaço. O pavilhão conquistou o principal prêmio arquitetônico da exposição.

Apesar da ideia original prever o completo desmonte, transporte e reconstrução do pavilhão no Rio de Janeiro, isto não aconteceu de fato devido a atrasos do governo brasileiro na execução do projeto. Ainda que baseado no projeto arquitetônico original, o pavilhão montado em Saint-Louis era feito de madeira e cal sobre uma estrutura de ferro, e apenas a cúpula e a estrutura que sustentava o pavilhão foram trazidas para o Brasil.

Reinauguração

Desmontado ao final do evento, o pavilhão foi reconstruído e reinaugurado em 1906, na Cinelândia, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, para sediar a Terceira Conferência Pan-Americana. Sua fachada eclética fazia parte de um conjunto arquitetônico na Cinelândia, com os edifícios da Biblioteca Nacional, do Theatro Municipal e do Museu Nacional de Belas Artes. O Barão do Rio Branco, por sugestão de Joaquim Nabuco, propôs que, ao Palácio de Saint-Louis, como era conhecido, fosse dado o nome de Palácio Monroe, em homenagem ao ex-presidente norte-americano James Monroe, criador do pan-americanismo.

Entre 1914 e 1922, o Palácio Monroe foi sede provisória da Câmara dos Deputados, enquanto o Palácio Tiradentes era construído. A imagem do local ilustrou cédulas de duzentos réis emitidas em 1919. O palácio também sediou a Comissão Executiva da Exposição do Centenário da Independência do Brasil, a partir de junho de 1922.

Com a inauguração do Palácio Tiradentes, o Senado Federal do Brasil passou a utilizar o Monroe como sua sede a partir de 1925, após obras de um ano e meio reformulando seu interior, que incluíram a instalação de elevadores, à época uma novidade; em substituição ao Palácio do Conde dos Arcos, que se considerava estar em estado precário. A sessão inaugural do Senado no Monroe ocorreu em 3 de maio de 1925, presidida pelo vice-presidente da República Estácio Coimbra.

Na Revolução de 1930, o palácio foi quartel-general das tropas de Getúlio Vargas. O Senado Federal esteve fechado durante o Estado Novo (1937-1945), ao longo do qual o edifício abrigou o Ministério da Justiça e o Departamento de Imprensa e Propaganda. Ao término do regime, serviu como sede provisória do Tribunal Superior Eleitoral, entre 1945 e 1946. Após o retorno do Senado, em meados da década de 1950, o Palácio sofreu uma obra de ampliação que lhe acrescentou um pavimento e ocupou o espaço das duas rotundas laterais, que eram vazias e serviam apenas como varandas decorativas. Com a mudança do Distrito Federal para Brasília, em 1960, o Monroe passou a exercer a função de escritório de representação do Senado no Rio de Janeiro, chamado de "Senadinho".

Na época da ditadura militar brasileira, foi transformado em sede do Estado-Maior das Forças Armadas. Em 1974, durante as obras de construção do metrô do Rio de Janeiro, o traçado dos túneis foi desviado para não afetar as fundações do palácio. Nessa época, o governo estadual decretou o seu tombamento. Uma campanha mobilizada pelo jornal O Globo, com o apoio de arquitetos modernistas como Lúcio Costa, pediu a demolição do Palácio Monroe, sob alegações estéticas e de que o prédio "atrapalhava o trânsito". No entanto, o então presidente Ernesto Geisel, que também não era favorável ao edifício, sob a alegação de que prejudicava a visão do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, não concedeu o decreto federal de tombamento e, em 9 de outubro de 1975, ordenou sua demolição, que foi executada entre janeiro e junho de 1976. No terreno assim desocupado, foi construída uma praça (Praça Mahatma Gandhi) com um chafariz monumental, originalmente instalado na Praça XV; e um estacionamento privado subterrâneo inaugurado em 2002.

Deixou um vazio. A cidade não se esquece da presença do Monroe. Colocaram um chafariz, mas parece que o fantasma do palácio continua ali.

Protestos

Houve aqueles que lutaram pela permanência do palácio. O Clube de Engenharia, o Jornal do Brasil e o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), apoiados por Roberto Burle Marx e outras personalidades, lançaram um manifesto pela preservação do edifício, que contou com a adesão de 162 arquitetos e urbanistas. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro também defendeu a manutenção do Monroe. Uma enquete com transeuntes leigos no Centro do Rio, feita pelo jornal Ultima Hora em julho de 1975, apontou a oposição da maioria destes à demolição.

Na edição de 28/01/1976 do Jornal do Brasil (Primeiro caderno, pág. 7), era noticiada a tentativa de impedimento da demolição por meio de ação popular. Neste período, final de janeiro de 1976, o palácio já se encontrava sem janelas e cúpula. Segundo Durval Lobo, chefe da Divisão Técnica Especializada de Urbanismo do Clube de Engenharia, um mandado de segurança seria a única forma de salvar o prédio. Durante sua demolição, chegou a cogitar-se transformar o palácio em sede e museu do IAB, por meio do deputado Jorge Arbage (ARENA-PA), como noticiado pelo Jornal do Brasil em 9 de março de 1976, pág. 8.[carece de fontes]?

No Diário de Notícias de 10 de janeiro de 1976 (pág. 2), Louis de Souza Aguiar, filho do construtor do palácio, reafirmou, em protesto, sua decisão de doar ao governo norte-americano a medalha conquistada pelo seu pai no concurso mundial de arquitetura.[carece de fontes]?

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Fonte do texto: Wikipédia, "Palácio Monroe", licença CC BY-SA. Texto adaptado e reduzido.

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