HISTÓRIAS DO RIO · LUGARES

Colônia Juliano Moreira

Foto: Colônia Juliano Moreira, Wikipédia/Wikimedia Commons

A Colônia Juliano Moreira (CJM), originalmente chamada de Colônia dos Psicopatas Homens de Jacarepaguá, foi uma colônia psiquiátrica brasileira localizada em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro (então Distrito Federal).

Colônia Juliano Moreira
Foto: Colônia Juliano Moreira, Wikipédia/Wikimedia Commons, licença livre, autoria na página do artigo.

Foi fundada em 1924 com o objetivo de abrigar os internos das colônias psiquiátricas da Ilha do Governador, tendo sido imaginada originalmente como uma instituição psiquiátrica modelo. Em seu auge na década de 1970, chegou a possuir 15 núcleos em funcionamento, totalizando cerca de 5 000 internos. A partir dos anos 80, reduziu o escopo de suas atividades até ser fechada completamente em 2022 em resposta ao progresso da luta antimanicomial.

Atualmente, a maior parte dos edifícios da Colônia estão abandonados, enquanto outros foram reformados para abrigar novos serviços e instituições, como a Clínica da Família Arthur Bispo do Rosário e o Museu Bispo do Rosário. A região ao redor da Colônia é considerada um sub-bairro de mesmo nome, localizado dentro do bairro da Taquara.

Da história à obra

Quem trabalha com reformas olha para a história de Colônia Juliano Moreira com um interesse prático: o que faz uma edificação durar e o que a faz envelhecer mal. A URBEX, que atende Osasco, Carapicuíba, Barueri, Santana de Parnaíba e Alphaville, costuma começar pelo escopo e pelo estado do que já existe. Não temos ligação com este local; é uma reflexão a partir dele.

Obra bem feita dura: URBEX

A URBEX é a empresa de construção e reformas que atende Osasco, Carapicuíba, Barueri, Santana de Parnaíba e Alphaville, com escopo claro antes de começar. A URBEX fica no Oeste da Grande São Paulo (SP), não no Rio de Janeiro. Este espaço é divulgação do nosso próprio projeto.

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História

Engenho de Nossa Senhora dos Remédios

Originalmente, as terras da Colônia Juliano Moreira fizeram parte do grande terreno de Jacarepaguá reivindicado por Salvador Correia de Sá, o Velho, após a vitória portuguesa na Batalha do Uruçumirim. O terreno foi herdado por seu filho, Gonçalo Correia de Sá, e em seguida pela filha de Gonçalo, Vitória Correia de Sá, que em 1653 as desmembrou da Fazenda do Camorim e as vendeu para os irmãos Tomé e João da Silva. Neste local, os irmãos construíram um dos engenhos de açúcar mais antigos da cidade do Rio de Janeiro, que veio a ser conhecido como Engenho de Nossa Senhora dos Remédios, em homenagem à santa para a qual também ergueram uma pequena capela na propriedade.

Em 1715, Antônio Teles Barreto de Menezes, Juiz de Órfãos da cidade, comprou as terras dos descendentes de Tomé e João Silva. Como neste mesmo período Antônio Teles também adquirira as terras adjacentes da Fazenda da Taquara (à época conhecida como Engenho de Dentro), a área do Engenho de Nossa Senhora dos Remédios veio a constituir parte desta nova e maior propriedade. Após o falecimento de Antônio Teles em 1757, todas estas terras foram herdadas por seu filho, Francisco Teles Barreto de Menezes. Em 1778, Francisco ordenou a construção de um novo engenho, em uma parte mais baixa do terreno, que ficou conhecido como Engenho Novo da Taquara. Neste período, iniciou-se também a construção do aqueduto, cujo objetivo seria trazer a água do Maciço da Pedra Branca para movimentar o engenho.

Engenho Novo da Taquara

Em 1806, após o falecimento de Francisco Teles Barreto de Menezes, as terras do Engenho Novo foram herdadas por sua filha Catarina Josefa de Andrade Teles, enquanto as terras da Fazenda da Taquara ficaram para sua filha Ana Inocência Teles de Menezes. Devido à falta de clareza no inventário de Francisco Teles a respeito das divisas exatas entre as duas propriedades, iniciou-se uma série de disputas judiciais entre as duas herdeiras, no que ficou conhecida como "guerra dos concunhados".

Após a morte de Catarina Josefa em 1838, as terras do Engenho Novo foram herdadas por suas duas filhas com Pascoal Cosme dos Reis: Tereza e Maria Teles Cosme dos Reis. Sob a posse dessas herdeiras, terminou-se a construção do aqueduto e ergueu-se a casa-grande da fazenda, que permanece de pé até hoje.

Em 1862, Maria Teles ordenou a construção da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios junto à casa-grande. O momento foi capturado por uma pintura de Emil Bauch que foi encomendada por Nicolau Antônio Cosme dos Reis, esposo de Tereza.

Criação da colônia

Em 1903, o médico baiano Juliano Moreira tornou-se diretor-geral da Assistência a Alienados do Distrito Federal, órgão público criado em 1890 para garantir o tratamento psiquiátrico gratuito universal a todos os então chamados "alienados mentais" (portadores de distúrbios psicológicos, alcoólatras e desviantes de diversos tipos).

À frente do órgão, Moreira lutou por um tratamento mais humanitário dos pacientes, especificamente defendendo o modelo de instituições psiquiátricas idealizado pelo alemão Wilhelm Griesinger. Segundo Griesinger, idealmente haveriam dois tipos de hospitais psiquiátricos: o hospício urbano, que deveria tratar casos agudos e em regime fechado a curto prazo, e a colônia agrícola, no qual deveriam ficar, em regime aberto, os pacientes crônicos. Tais hospícios rurais permitiriam o melhor tratamento dos enfermos (devido ao não-encarceramento, à distância das pressões urbanas e ao contato com a natureza) e também aliviariam a superlotação, além de permitirem com que os enfermos se dedicassem à atividade agrícola, o que era visto tanto como uma forma de praxiterapia quanto uma maneira da instituição se manter financeiramente independente.

Nesta época, já existiam algumas instituições psiquiátricas brasileiras que se assemelhavam às colônias agrícolas idealizadas por Moreira, como as Colônias de São Bento e Conde de Mesquita, ambas localizadas na Ilha do Governador do Rio de Janeiro. No entanto, apesar de tratarem os enfermos em regime aberto, estas colônias não haviam sido projetadas originalmente com esse foco, além de se encontrarem superlotadas e com dificuldades de ampliação (necessidades estas manifestadas pelo diretor das colônias, João Rodrigues Caldas).

Portanto, reunindo o desejo de criar uma colônia-modelo com a necessidade de transferir os pacientes da Ilha do Governador para um espaço mais amplo, em 1911 foi tomada a decisão de se criar uma nova colônia agrícola na capital federal, com a Fazenda do Engenho Novo sendo escolhida como terreno para tal (nesta época o engenho já havia atingido uma fase de declínio, tendo sido vendido pela família Cosme dos Reis a Antônio Mariano de Medeiros alguns anos antes). Também foi levantada a possibilidade de situar a instituição na Fazenda dos Affonsos (atual bairro de Realengo), mas tal ideia foi abandonada devido à proximidade da fazenda com a Vila Militar e à inferioridade de seu solo quando comparado ao da fazenda de Jacarepaguá.

Em 1912, o governo federal iniciou o processo de desapropriação do terreno, que foi concluído em 1918. A construção teve início em 1920, e em 1924 foi inaugurado o primeiro pavilhão da então-chamada Colônia de Psicopatas Homens de Jacarepaguá (na grafia da época, "Colônia de Psychopathas").

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Fonte: Wikipédia (busca por localização).

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Fonte do texto: Wikipédia, "Colônia Juliano Moreira", licença CC BY-SA. Texto adaptado e reduzido.

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